2.2. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
As últimas décadas foram marcadas por intensas transformações e por impactante revolução tecnológica, que
promoveram importantes mudanças no cotidiano das pessoas, especialmente no que se refere às formas de
comunicação, de interação e de acesso às informações. Nesse sentido, o avanço tecnológico evidenciou a relevância
do incentivo à pesquisa e à inovação em prol do desenvolvimento, e demonstrou o papel essencial dessas áreas para
a sociedade.
O papel que o Governo deve desempenhar nesse cenário também se torna relevante, para que o País prossiga
em um crescimento econômico guiado pela inovação, de modo inclusivo e sustentável. Nesse contexto, as iniciativas
de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação - PD&I, na área de segurança cibernética, necessitam de maior prioridade,
com o fim de obter maior investimento, mais pesquisadores capacitados na área, e novos projetos, aos moldes de
outros países, de forma a contemplar, inclusive, a criptologia como matéria de extrema relevância a ser incorporada
em projetos de pesquisa e de inovação em âmbito nacional.
O foco deste eixo é incentivar a busca de soluções de segurança no ambiente digital, em linha com o E-Digital,
de 2018. Cidades inteligentes, que utilizam amplamente tecnologias provenientes da IoT, e integração de sistemas de
governo, que utilizam recursos de BigData, por exemplo, precisam ter, no centro dos debates, a preocupação com a
segurança cibernética.
A E-Digital estimula a PD&I, e a modernização de uma estrutura produtiva, em áreas como: de microeletrônica,
em particular, em ações que visem à capacitação em design house, de sensores, de automação e robótica, de
supercomputador, de inteligência artificial, de BigData e analytics, de redes de alto desempenho, de criptografia, de
redes móveis de quinta geração - 5G e de computação em nuvem.
Recomenda-se, nesse sentido, o investimento na busca de soluções inovadoras em novos tipos de criptografia,
de forma a considerar seu potencial variado de aplicabilidade e seu valor estratégico para a segurança da informação
e para a segurança cibernética do País.
O Brasil possui um cenário diversificado no que tange à pesquisa e ao desenvolvimento em tecnologia.
Identificam-se centros de excelência altamente capacitados e reconhecidos por suas atividades, mas que produzem
pouca inovação ou tecnologia aplicável ao ambiente cibernético. É preciso que o País disponha de uma indústria de
segurança cibernética inovadora, apoiada por pesquisas e por produções científicas de alto nível, capaz de reter
talentos que possam contribuir com a indústria nacional e realimentar o ciclo de produção do conhecimento.
Verifica-se uma dissonância entre os projetos conduzidos pelas universidades públicas e privadas e as
necessidades em soluções de segurança cibernética por parte do setor produtivo. Esse quadro demonstra a
necessidade de diálogo mais estreito e eficaz entre o setor empresarial e a academia, para que haja convergência de
esforços e de projetos que impactem a sociedade de forma positiva e construtiva.
Nesse sentido, recomenda-se o estabelecimento de parcerias com o Ministério da Educação, visando à
implementação de programas de incentivo ao desenvolvimento de capacidades em segurança cibernética para
estudantes da educação básica, com o objetivo de identificar talentos, e orienta-se que as universidades
desenvolvam projetos em alinhamento com as necessidades do setor produtivo.
A aproximação dos programas de mestrado e doutorado não só em computação aplicada, mas em outras áreas
do conhecimento, pode ser uma via eficaz para formação, aprimoramento e qualificação de pessoal interessado no
tema, além de geração de conhecimento.
No contexto da inovação, a E-Ciber incentiva a adoção de padrões globais e voluntários de tecnologia, que
permitirá a interoperabilidade em escala internacional e, por consequência, irá assegurar que não só as organizações
localizadas no Brasil como também aquelas fora do País possam adotar nossas práticas e processos, de modo a
servir de modelo para a cooperação internacional no fortalecimento da segurança cibernética. Ressalta-se, portanto,
que políticas públicas nesse tema contemplem a relevância de se aproveitar avanços e tecnologias globais, para
garantir, de todas as formas, a utilização das melhores ferramentas disponíveis para a segurança cibernética.
Um dos indicadores usados para medir o desempenho de um país quanto à inovação tecnológica é o ranking
World Competitiveness Yearbook da escola de negócios IMD Foundation Board53. Na versão de 2019, o Brasil
ocupou o quinquagésimo nono lugar mundial de sessenta e três posições. A pesquisa indica que o Brasil vem
perdendo posições nesse indicador de inovação tecnológica desde 2010, quando apareceu no trigésimo oitavo lugar.
Em 2011, caiu para o quadragésimo quarto lugar. Em 2012, já havia perdido mais duas posições no ranking e, na
última edição, caiu mais quinze posições.
No que tange ao uso dos fundos, o maior é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -
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