FNDCT54, criado formalmente em 1969, com o objetivo de apoiar financeiramente programas e projetos prioritários de
desenvolvimento científico e tecnológico nacionais. Os recursos do FNDCT são utilizados para apoiar atividades de
inovação e pesquisa em empresas e instituições científicas e tecnológicas, entretanto, não há foco específico para
projetos em segurança cibernética. Nessa perspectiva, considera-se como relevante o uso desse e de outros fundos
para incentivar programas e ações de inovação em segurança cibernética.
No atual cenário de inovação e revolução tecnológica, as empresas que surgem com base tecnológica startups desempenham papel de relevância como principais fontes de inovação. A percepção de seu potencial
inovador incentivou diversos países a estabelecerem ampla gama de programas de apoio a startups e a pequenas e
médias empresas, solução que o Brasil deve seguir e incentivar.
A propósito, nesse contexto, ressalta de importância o prosseguimento das pesquisas sobre o uso de
inteligência espectral, em virtude do fato de sensores empregados em redes IoT, drones, smartphones, dispositivos
GPS e em roteadores sem fio poderem sofrer ações maliciosas no espectro de radiofrequência com sérios impactos
na privacidade e até mesmo na segurança de pessoas e de infraestruturas críticas. Entende-se como inteligência
espectral o uso e a análise do espectro de radiofrequência em sistemas de comunicação sem fio55.
No que tange, ainda, ao eixo Pesquisa e Desenvolvimento, destaca-se a importância de considerar os aspectos
de segurança cibernética relacionados à tecnologia das redes 5G, uma vez que representa uma revolução nas
comunicações de dados, no potencial de emprego de equipamentos de IoT e na prestação de novos e disruptivos
serviços que necessitam de redes com latência muito reduzida para sua operacionalização, implementação,
efetivação e resiliência. Nesse contexto, a E-Ciber recomenda que devem ser considerados, na comercialização de
equipamentos 5G, requisitos mínimos de segurança cibernética que assegurem o uso pleno, responsável e seguro
dessa tecnologia em prol do desenvolvimento da sociedade e das instituições nacionais.
2.3. Dimensão Internacional e Parcerias Estratégicas
O Brasil experimenta o fenômeno da quarta revolução industrial, onde as tecnologias ganham maior integração,
o mundo físico e o ambiente virtual alcançam elevado grau de interação, e os dispositivos de IoT proliferam em apoio
aos processos produtivos. Essa automação tende, naturalmente, a aumentar a competitividade e a produtividade do
setor industrial.
A denominada Indústria 4.0, portanto, traz grandes possibilidades de ganhos de produtividade para o setor
industrial por meio do emprego de novas tecnologias, como IoT, robótica avançada, impressão 3D, BigData,
computação em nuvem, inteligência artificial e sistemas de simulação virtual. Além disso, a combinação entre as
tecnologias enseja novas possibilidades, novos negócios e soluções, de forma a transpor fronteiras e de eliminar
distâncias. Para melhor visualização dessas tecnologias, tem-se uma lista delas, trazida pela Agência Mais56:
- Robótica Avançada: ramo educacional e tecnológico que engloba computadores, robôs e computação que
fazem parte de circuitos integrados;
- BigData - análise e interpretação de grandes volumes de dados variados;
- Impressão 3D - forma de tecnologia de fabricação aditiva onde um modelo tridimensional é criado por
sucessivas camadas de material;
- Computação em Nuvem - possibilidade de acessar arquivos e de executar diferentes tarefas pela internet sem
a necessidade de instalar aplicativos, por exemplo;
- Inteligência artificial - ramo da informática que visa criar máquinas com inteligência similiar à humana;
- Simulação Virtual - sistemas capazes de simular o comportamento dos equipamentos que se deseja
reproduzir; e
- Internet da Coisas - revolução tecnológica que tem por objetivo conectar itens usados no dia a dia das
pessoas à rede mundial de computadores.
Motivado por esse fenômeno, observa-se a crescente incorporação de tecnologias digitais nas diversas
atividades cotidianas, como, por exemplo, os aplicativos para marcar consultas ou realizar operações bancárias, os
carros autônomos, o controle de máquinas e produtos por meio de sensores ou qualquer outra tecnologia que otimize
a realização de atividades, em termos de custos financeiros e de tempo, de forma a corroborar, enfim, para o processo
de digitalização da economia.
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