vulnerabilidades e consequente vazamento de informações, causando prejuízos ao
Estado, com reflexos negativos para a sociedade.
Neste contexto, ressalta-se que não obstante os esforços do governo em
fortalecer as ações de SIC e de SegCiber, o que inclui arcabouço normativo publicado
pelo GSI/PR nos últimos oito anos, o respectivo nível de maturidade ainda encontra-se
em patamar aquém do desejado nos órgãos e entidades da APF, segundo o Acórdão
3.051/2014-TCU-Plenário.
A Constituição Federal de 1988 estabelece amplo acesso à informação,
impactando diretamente nas estratégias, políticas e atuação de todos os órgãos
públicos. A publicação da Lei de Acesso à Informação (LAI) marcou uma mudança no
paradigma de publicidade dos ativos de informação criados e geridos pelo Estado, em
todos os níveis e esferas, em prol da transparência. Esse novo mote trouxe atenção
sobre os ativos de informação sigilosos cuja publicidade seja sensível para o país.
Nesse aspecto, a LAI garante tratamento diferenciado para informações cuja a
exposição comprometa a segurança do Estado e da sociedade. Tal dinâmica impacta
diretamente na estratégia adotada pelo governo para a SIC e a SegCiber.
Ficam, assim, evidenciados os vários desafios enfrentados pelo Governo
Federal, em especial a carência do estabelecimento de governança efetiva da SIC e da
SegCiber, e da segurança dos ativos de informação críticos, e a ausência de um órgão
central que exerça coordenação executiva de tais temas, de forma sistêmica e
participativa – “multistakeholders” e multissetores, somada a ausência de destaque
orçamentário específico e adequado ao tamanho do problema.
Uma vez que SIC e SegCiber são consideradas como questões nacionais,
horizontais e estratégicas, que afetam todos os níveis da sociedade, uma estratégia de
SIC e de SegCiber nacional representa importante ferramenta para melhorar
sobremaneira a segurança e a resiliência das infraestruturas críticas e dos serviços
nacionais.
A SIC e a SegCiber têm, portanto, impactos amplos na soberania nacional, na
construção da cidadania e no desenvolvimento econômico, devendo o país ser
reconhecido como protagonista em nível internacional, bem como em fóruns bi e
multilaterais. E, em decorrência, esforços em prol da SIC e da SegCiber podem
representar um salto qualitativo e quantitativo da inserção da indústria nacional de
tecnologia da informação e comunicação (TIC) nos mercados interno e global, bem
como, de evolução e excelência da pesquisa, desenvolvimento e inovação dessas áreas
em nível nacional e internacional.
No Brasil, os assuntos relacionados à Segurança da Informação e
Comunicações, Segurança Cibernética e Segurança das Infraestruturas Críticas vêm
sendo tratados no âmbito do Conselho de Defesa Nacional (CDN) e da Câmara de
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