A segunda diretriz é o avanço nos programas de veículos aéreos não tripulados, primeiro de vigilância e depois de
combate. Os veículos não tripulados poderão vir a ser meios centrais, não meramente acessórios, do combate aéreo,
além de facultar patamar mais exigente de precisão no monitoramento/controle do território nacional. A Força Aérea
absorverá as implicações desse meio de vigilância e de combate para sua orientação tática e estratégica. Formulará
doutrina sobre a interação entre os veículos tripulados e não tripulados que aproveite o novo meio para radicalizar o
poder de surpreender, sem expor as vidas dos pilotos.
A terceira diretriz é a integração das atividades espaciais nas operações da Força Aérea. O monitoramento
espacial será parte integral e condição indispensável do cumprimento das tarefas estratégicas que orientarão a Força
Aérea: vigilância múltipla e cumulativa, superioridade aérea local e fogo focado no contexto de operações conjuntas. O
desenvolvimento da tecnologia de veículos lançadores servirá como instrumento amplo, não só para apoiar os programas
espaciais, mas também para desenvolver tecnologia nacional de projeto e de fabricação de mísseis.
Os setores estratégicos: o espacial, o cibernético e o nuclear
1.Três setores estratégicos - o espacial, o cibernético e o nuclear –são essenciais para a defesa nacional.
2.Nos três setores, as parcerias com outros países e as compras de produtos e serviços no exterior devem ser
compatibilizadas com o objetivo de assegurar espectro abrangente de capacitações e de tecnologias sob domínio
nacional.
3.No setor espacial, as prioridades são as seguintes:
a. Projetar e fabricar veículos lançadores de satélites e desenvolver tecnologias de guiamento remoto, sobretudo
sistemas inerciais e tecnologias de propulsão líquida.
b. Projetar e fabricar satélites, sobretudo os geoestacionários, para telecomunicações e os destinados ao
sensoriamento remoto de alta resolução, multiespectral e desenvolver tecnologias de controle de atitude dos satélites.
c. Desenvolver tecnologias de comunicações, comando e controle a partir de satélites, com as forças terrestres,
aéreas e marítimas, inclusive submarinas, para que elas se capacitem a operar em rede e a se orientar por informações
deles recebidas;
d. Desenvolver tecnologia de determinação de coordenadas geográficas a partir de satélites.
4.As capacitações cibernéticas se destinarão ao mais amplo espectro de usos industriais, educativos e militares.
Incluirão, como parte prioritária, as tecnologias de comunicação entre todos os contingentes das Forças Armadas de
modo a assegurar sua capacidade para atuar em rede. Contemplarão o poder de comunicação entre os contingentes das
Forças Armadas e os veículos espaciais. No setor cibernético, será constituída organização encarregada de desenvolver
a capacitação cibernética nos campos industrial e militar.
5.O setor nuclear tem valor estratégico. Transcende, por sua natureza, a divisão entre desenvolvimento e defesa.
Por imperativo constitucional e por tratado internacional, privou-se o Brasil da faculdade de empregar a energia
nuclear para qualquer fim que não seja pacífico. Fê-lo sob várias premissas, das quais a mais importante foi o
progressivo desarmamento nuclear das potências nucleares.
Nenhum país é mais atuante do que o Brasil na causa do desarmamento nuclear. Entretanto o Brasil, ao proibir a
si mesmo o acesso ao armamento nuclear, não se deve despojar da tecnologia nuclear. Deve, pelo contrário, desenvolvêla, inclusive por meio das seguintes iniciativas:
a. Completar, no que diz respeito ao programa de submarino de propulsão nuclear, a nacionalização completa e o
desenvolvimento em escala industrial do ciclo do combustível (inclusive a gaseificação e o enriquecimento) e da
tecnologia da construção de reatores, para uso exclusivo do Brasil.
b. Acelerar o mapeamento, a prospecção e o aproveitamento das jazidas de urânio.
c. Desenvolver o potencial de projetar e construir termelétricas nucleares, com tecnologias e capacitações que
acabem sob domínio nacional, ainda que desenvolvidas por meio de parcerias com Estados e empresas estrangeiras.
Empregar a energia nuclear criteriosamente, e sujeitá-la aos mais rigorosos controles de segurança e de proteção do
meio-ambiente, como forma de estabilizar a matriz energética nacional, ajustando as variações no suprimento de
energias renováveis, sobretudo a energia de origem hidrelétrica; e
d. Aumentar a capacidade de usar a energia nuclear em amplo espectro de atividades.