b. Desenvolver projetos tecnológicos que se distingam por sua fecundidade tecnológica (aplicação análoga a
outras áreas) e por seu significado transformador (alteração revolucionária das condições de combate), não apenas por
sua aplicação imediata;
c. Estreitar os vínculos entre os Institutos de Pesquisa do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA) e as empresas
privadas, resguardando sempre os interesses do Estado quanto à proteção de patentes e à propriedade industrial;
d. Promover o desenvolvimento, em São José de Campos ou em outros lugares, de adequadas condições de
ensaio;
e. Enfrentar o problema da vulnerabilidade estratégica criada pela concentração de iniciativas no complexo
tecnológico e empresarial de São José dos Campos. Preparar a progressiva desconcentração geográfica de algumas das
partes mais sensíveis do complexo.
4.Dentre todas as preocupações a enfrentar no desenvolvimento da Força Aérea, a que inspira cuidados mais
vivos e prementes é a maneira de substituir os atuais aviões de combate no intervalo entre 2015 e 2025, uma vez
esgotada a possibilidade de prolongar-lhes a vida por modernização de seus sistemas de armas, de sua aviônica e de
partes de sua estrutura e fuselagem.
O Brasil confronta, nesse particular, dilema corriqueiro em toda a parte: manter a prioridade das capacitações
futuras sobre os gastos atuais, sem tolerar desproteção aérea. Precisa investir nas capacidades que lhe assegurem
potencial de fabricação independente de seus meios aéreos de defesa. Não pode, porém, aceitar ficar desfalcado de um
escudo aéreo enquanto reúne as condições para ganhar tal independência. A solução a dar a esse problema é tão
importante, e exerce efeitos tão variados sobre a situação estratégica do País na América do Sul e no mundo, que
transcende uma mera discussão de equipamento e merece ser entendida como parte integrante da Estratégia Nacional
de Defesa.
O princípio genérico da solução é a rejeição das soluções extremas - simplesmente comprar no mercado
internacional um caça “de quinta geração” ou sacrificar a compra para investir na modernização dos aviões existentes,
nos projetos de aviões não-tripulados, no desenvolvimento, junto com outro país, do protótipo de um caça tripulado do
futuro e na formação maciça de quadros científicos e técnicos. Convém solução híbrida, que providencie o avião de
combate dentro do intervalo temporal necessário mas que o faça de maneira a criar condições para a fabricação nacional
de caças tripulados avançados.
Tal solução híbrida poderá obedecer a um de dois figurinos. Embora esses dois figurinos possam coexistir em tese,
na prática um terá de prevalecer sobre o outro. Ambos ultrapassam de muito os limites convencionais de compra com
transferência de tecnologia ou “off-set” e envolvem iniciativa substancial de concepção e de fabricação no Brasil. Atingem
o mesmo resultado por caminhos diferentes.
De acordo com o primeiro figurino, estabelecer-se-ia parceria com outro país ou países para projetar e fabricar no
Brasil, dentro do intervalo temporal relevante, um sucedâneo a um caça de quinta geração à venda no mercado
internacional. Projeta-se e constrói-se o sucedâneo de maneira a superar limitações técnicas e operacionais significativas
da versão atual daquele avião (por exemplo, seu raio de ação, suas limitações em matéria de empuxo vetorado, sua falta
de baixa assinatura radar). A solução em foco daria resposta simultânea aos problemas das limitações técnicas e da
independência tecnológica.
De acordo com o segundo figurino, seria comprado um caça de quinta geração, em negociação que contemplasse
a transferência integral de tecnologia, inclusive as tecnologias de projeto e de fabricação do avião e os “códigos-fonte”. A
compra seria feita na escala mínima necessária para facultar a transferência integral dessas tecnologias. Uma empresa
brasileira começa a produzir, sob orientação do Estado brasileiro, um sucedâneo àquele avião comprado, autorizado por
negociação antecedente com o país e a empresa vendedores. A solução em foco dar-se-ia por seqüenciamento e não
por simultaneidade.
A escolha entre os dois figurinos é questão de circunstância e de negociação. Consideração que poderá ser
decisiva é a necessidade de preferir a opção que minimize a dependência tecnológica ou política em relação a qualquer
fornecedor que, por deter componentes do avião a comprar ou a modernizar, possa pretender, por conta dessa
participação, inibir ou influir sobre iniciativas de defesa desencadeadas pelo Brasil.
5.Três diretrizes estratégicas marcarão a evolução da Força Aérea. Cada uma dessas diretrizes representa muito
mais do que uma tarefa, uma oportunidade de transformação.
A primeira diretriz é o desenvolvimento do repertório de tecnologias e de capacitações que permitam à Força
Aérea operar em rede, não só entre seus próprios componentes, mas, também, com o Exército e a Marinha.