6.A mobilidade como componente do imperativo de flexibilidade requer o desenvolvimento de veículos terrestres e
de meios aéreos de combate e de transporte. Demandará, também, a reorganização das relações com a Marinha e com
a Força Aérea, de maneira a assegurar, tanto na cúpula dos Estados-Maiores como na base dos contingentes
operacionais, a capacidade de atuar como uma única força.
7.Monitoramento/controle e mobilidade têm seu complemento em medidas destinadas a assegurar, ainda no
módulo brigada, a obtenção do efetivo poder de combate. Algumas dessas medidas são tecnológicas: o desenvolvimento
de sistemas de armas e de guiamento que permitam precisão no direcionamento do tiro e o desenvolvimento da
capacidade de fabricar munições não-nucleares de todos os tipos. Outras medidas são operacionais: a consolidação de
um repertório de práticas e de capacitações que proporcionem à Força Terrestre os conhecimentos e as potencialidades,
tanto para o combate convencional quanto para não-convencional, capaz de operar com adaptabilidade nas condições
imensamente variadas do território nacional. Outras medidas - ainda mais importantes - são educativas: a formação de
um militar que reúna qualificação e rusticidade.
8.A defesa da região amazônica será encarada, na atual fase da História, como o foco de concentração das
diretrizes resumidas sob o rótulo dos imperativos de monitoramento/controle e de mobilidade. Não exige qualquer
exceção a tais diretrizes; reforça as razões para seguí-las. As adaptações necessárias serão as requeridas pela natureza
daquele teatro de operações: a intensificação das tecnologias e dos dispositivos de monitoramento a partir do espaço, do
ar e da terra; a primazia da transformação da brigada em uma força com atributos tecnológicos e operacionais; os meios
logísticos e aéreos para apoiar unidades de fronteira isoladas em áreas remotas, exigentes e vulneráveis; e a formação
de um combatente detentor de qualificação e de rusticidade necessárias à proficiência de um combatente de selva.
O desenvolvimento sustentável da região amazônica passará a ser visto, também, como instrumento da defesa
nacional: só ele pode consolidar as condições para assegurar a soberania nacional sobre aquela região. Dentro dos
planos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, caberá papel primordial à regularização fundiária. Para
defender a Amazônia, será preciso tirá-la da condição de insegurança jurídica e de conflito generalizado em que, por
conta da falta de solução ao problema da terra, ela se encontra.
9.Atender ao imperativo da elasticidade será preocupação especial do Exército, pois é, sobretudo, a Força
Terrestre que terá de multiplicar-se em caso de conflito armado.
10.Os imperativos de flexibilidade e de elasticidade culminam no preparo para uma guerra assimétrica, sobretudo
na região amazônica, a ser sustentada contra inimigo de poder militar muito superior, por ação de um país ou de uma
coligação de países que insista em contestar, a pretexto de supostos interesses da Humanidade, a incondicional
soberania brasileira sobre a sua Amazônia.
A preparação para tal guerra não consiste apenas em ajudar a evitar o que hoje é uma hipótese remota, a de
envolvimento do Brasil em um conflito armado de grande escala. É, também, aproveitar disciplina útil para a formação de
sua doutrina militar e de suas capacitações operacionais. Um exército que conquistou os atributos de flexibilidade e de
elasticidade é um exército que sabe conjugar as ações convencionais com as não-convencionais. A guerra assimétrica,
no quadro de uma guerra de resistência nacional, representa uma efetiva possibilidade da doutrina aqui especificada.
Cada uma das condições, a seguir listadas, para a condução exitosa da guerra de resistência deve ser
interpretada como advertência orientadora da maneira de desempenhar as responsabilidades do Exército:
a. Ver a Nação identificada com a causa da defesa. Toda a estratégia nacional repousa sobre a conscientização do
povo brasileiro da importância central dos problemas de defesa.
b. Juntar a soldados regulares, fortalecidos com atributos de soldados não-convencionais, as reservas mobilizadas
de acordo com o conceito da elasticidade.
c. Contar com um soldado resistente que, além dos pendores de qualificação e de rusticidade, seja também, no
mais alto grau, tenaz. Sua tenacidade se inspirará na identificação da Nação com a causa da defesa.
d. Sustentar, sob condições adversas e extremas, a capacidade de comando e controle entre as forças
combatentes.
e. Manter e construir, mesmo sob condições adversas e extremas, o poder de apoio logístico às forças
combatentes.
f. Saber aproveitar ao máximo as características do terreno.
A Força Aérea Brasileira: vigilância orientadora, superioridade aérea, combate focado, combate aeroestratégico