global de tecnologia da informação, segurança e auditoria cibernética - ISACA65, divulgado no início de 2019.
Segundo a pesquisa, manter os profissionais de segurança cibernética é muito difícil, e a formação e as certificações
promovidas e custeadas pelo empregador não são suficientes para garantir a retenção. Os profissionais de segurança
cibernética estão migrando com maior frequência de seus empregos para aqueles que oferecem remunerações
maiores, perspectivas de progressão na carreira e percepção de ambientes de trabalho mais saudáveis.
Por fim, segundo a pesquisa da ISACA, as empresas implementam várias estratégias para reter profissionais de
segurança cibernética, dentre elas, o fornecimento de treinamento adicional. Cinquenta e sete por cento dos
entrevistados indicam que suas empresas investem em mais treinamento, como incentivo para que seus funcionários
nelas permaneçam.
Como as previsões para 2020 indicam que as pequenas e médias empresas são o próximo alvo dos ataques
cibernéticos, ressalta-se a necessidade de ações de conscientização. O primeiro passo é o reconhecimento, por parte
das empresas, que seus dados não estão 100% seguros. Isso significa que ataques, redução da produtividade e
prejuízos podem ser evitados, se houver mudança de atitude. O assunto é comum, tanto que conceitos como o Zero
Trust, refletidos em maior rigidez no acesso à rede, na inspeção e no registro de tráfego, têm sido discutidos e
aplicados no meio corporativo.
A tendência é que os crimes cibernéticos ocorram com maior frequência no nicho das pequenas e médias
empresas, porque, em geral, essas empresas não adotam as devidas medidas e ações preventivas. Como,
frequentemente, empresas menores são fornecedoras de serviços das maiores, isso torna as menores um canal de
conexão para grandes organizações, que possibilitam ataques por infiltração.
Nesse sentido, ressalta-se a importância da conscientização de gestores, tanto do setor público quanto do setor
privado, sobre segurança cibernética, uma vez que, em sua maioria, decidem a alocação de recursos e o tempo
destinado aos projetos definidos como prioritários. Essa iniciativa cresce de importância com a premente conformidade
de entidades públicas e privadas à recente Lei nº 13.709, de 2018 - Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que
evidencia a necessidade de que tais instituições invistam em programas de capacitação sobre proteção e privacidade desses dados.
Recomenda-se, nesse contexto, o incentivo às iniciativas para aumentar o interesse e o acesso à educação em
ciências da computação para alunos da educação básica, com possibilidade de expansão de parcerias públicoprivadas, repensar a educação profissional e treinar mais professores para qualificá-los adequadamente no tema.
Identifica-se, também, a necessidade de desenvolvimento de programas de treinamento em segurança
cibernética, para os trabalhadores do setor público e do setor privado, para que possam aprimorar seus conhecimento
e desenvolver novas habilidades nessa área.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE revelam que até 2021
haverá três milhões e quinhentas mil vagas não preenchidas no mercado de trabalho de segurança cibernética em
todo o mundo. No Brasil, a pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e
Comunicação - Brasscom estima que, até 2024, o mercado demandará quatrocentos e vinte mil profissionais da área
de tecnologia da informação e comunicação, sendo que quarenta e cinco mil especificamente para o segmento de
segurança cibernética. Tais números levam ao entendimento de que a maior deficiência no combate aos crimes
cibernéticos não será de ordem tecnológica mas, sim, da falta de recursos humanos.
Uma recente pesquisa realizada pelo Center for Strategic and International Studies - CSIS66, com tomadores
de decisões de tecnologias da informação de oito países, revelou que 82% dos empregadores relatam uma falta de
habilidades de seus empregados no tema de segurança cibernética, e 71% acreditam que essa lacuna de talentos
causa danos diretos às suas organizações.
No Brasil, as seguintes lacunas foram identificadas:
- poucos profissionais especializados em segurança cibernética;
- baixa conscientização dos usuários; e
- poucos programas educacionais focados na área.
O combate aos ataques cibernéticos exige profissionais continuamente capacitados. Nesse sentido, urge a
necessidade de um programa de capacitação de abrangência nacional destinado à formação técnica e ao
aprimoramento de recursos humanos com vistas a fortalecer a segurança cibernética nos órgãos de governo e nas
empresas privadas. Nesse contexto, as instituições públicas devem buscar a articulação e o fortalecimento na área de
segurança cibernética, por meio de ações colaborativas e de parcerias com o setor privado, com a academia e com o
terceiro setor, no País e no exterior, para estimular o contínuo desenvolvimento de massa crítica e de talentos.
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