áreas, costuma trazer resultados benéficos, e contribui para elevar a confiança do cidadão nas instituições públicas e
privadas e aprimora a relação entre esses atores. Na área da segurança cibernética essa relação é essencial, uma
vez que, como o tema é transversal, os melhores resultados somente serão alcançados se todos agirem de forma
coordenada, sempre cientes de que nenhum ator poderá, de forma isolada, enfrentar com todos os desafios impostos
pelas novas tecnologias. Nesse sentido, são necessárias responsabilidades bem definidas, e cabe ao Governo o
papel central de coordenação desse complexo ecossistema, ao direcionar os esforços em prol do bem-estar da
sociedade.
A necessidade de estabelecer e consolidar parcerias estratégicas no ambiente cibernético torna-se ainda mais
evidente ao se constatar que grande parte das infraestruturas críticas estão sob responsabilidade do setor privado, o
que reforça a necessidade de propósitos comuns, em segurança cibernética, entre Governo, empresas privadas,
academia e a sociedade em geral.
No Brasil, os processos de coordenação entre os distintos atores do ambiente cibernético, até o momento,
compõem um amplo leque de arranjos nem sempre institucionalizados e perenes, e nem atrelados a mecanismos
convencionais de regulação57. Soma-se a esse fato a existência de grande quantidade de instituições que lidam direta
ou indiretamente com a segurança cibernética, o que traz grandes desafios de cooperação e de coordenação para o
Estado brasileiro. Portanto, recomenda-se a criação de canais de comunicação apropriados, a fim de que seja ouvido
e contemplado o maior número de segmentos da sociedade brasileira quando da elaboração, da implementação e da
promoção de políticas públicas relativas à segurança cibernética.
É importante ressaltar que as parcerias no campo cibernético tendem a se consolidar se forem baseadas na
confiança, em interesses e em objetivos comuns, onde os planos de ação sejam construídos em conjunto, e onde os
mecanismos de coordenação sejam eficazes. Diante disso, cresce em relevância a realização de reuniões com atores
destacados em segurança cibernética e a instituição, caso necessário, de grupos de trabalho e de fóruns sobre o
tema.
Portanto, como a segurança cibernética é de extrema importância para o poder público e para as instituições
privadas, entende-se como relevante a criação de um mecanismo de compartilhamento de informações sobre riscos
cibernéticos, com o fim de contribuir para a identificação, o gerenciamento e a mitigação de riscos. Essa contínua
troca de conhecimento irá auxiliar organizações a evitar, a avaliar e a gerenciar riscos corretamente, além de viabilizar
uma abordagem coordenada mais eficaz e eficiente.
2.4. Educação
Construir uma sociedade conectada tem sido um desafio para o Estado brasileiro. Contudo, graças à
modernização tecnológica e à expansão das redes de telecomunicações, que resultaram em um rápido e massivo
acesso à internet por parte de milhões de brasileiros, conforme abordado no item Diagnóstico, hoje 98% da população
possui acesso às redes móveis e 60% dos domicílios têm acesso por meio da rede fixa. Entretanto, essa realidade
trouxe uma série de novas preocupações, especialmente com relação às vulnerabilidades e às ameaças cibernéticas.
Como consequência do maior acesso às redes digitais, e em virtude da pouca maturidade em segurança
cibernética, o Brasil ocupa lugar de destaque no ranking dos países que mais recebem ataques cibernéticos. A falta
de cultura em segurança cibernética, de habilitação e de conhecimento nesse tema de grande número de brasileiros
conectados ao mundo digital mostra que a nossa sociedade não está preparada para o uso das ferramentas digitais
com os cuidados adequados relativos à segurança cibernética.
Nesse contexto, destaca-se a importância da alfabetização digital, ou digital literacy, conceito que, segundo a
Western Sidney University58, significa “possuir as habilidades necessárias para viver, aprender e trabalhar em uma
sociedade em que a comunicação e o acesso à informação ocorrem cada vez mais por meio de tecnologias digitais,
como plataformas da Internet, mídias sociais e dispositivos móveis”. Esse esforço de educação digital, que passa pela
inclusão tecnológica, visa a preencher imensa lacuna entre os usuários atuais dessas tecnologias e os pertencentes
ao grupo dos chamados “nativos digitais”, expressão criada em 2001, por Marc Prensky59, especialista estadunidense
em educação, que usou o termo para se referir a todos os nascidos após 1980, cujo desenvolvimento biológico e
social se deu em contato direto com a tecnologia.
Dessa forma, recomenda-se desenvolver uma cultura de segurança cibernética, por meio da educação, que
alcance todos os setores da sociedade e níveis de ensino, a fim de prevenir incidentes e proporcionar o uso
responsável das tecnologias, por ser um dos fatores chaves para o desenvolvimento do País.
A educação em segurança cibernética é concebida em três formas de atuação, em grau crescente de
especialização de conteúdo, e em grau decrescente de abrangência da sociedade, conforme o que segue:
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