1. INTRODUÇÃO A cibersegurança é essencial tanto para a prosperidade como para a nossa segurança. Atendendo a que a vida quotidiana e as nossas economias dependem cada vez mais de tecnologias digitais, vamos ficando gradualmente mais expostos. Os incidentes de cibersegurança estão a diversificar-se tanto no que se refere aos responsáveis como aos objetivos que pretendem atingir. As ciberatividades maliciosas ameaçam não apenas as nossas economias e o avanço para o mercado único digital, como também o próprio funcionamento das democracias, as liberdades e os valores que defendemos. A nossa segurança futura depende da transformação da capacidade para protegermos a UE contra ciberameaças: tanto as infraestruturas civis como as capacidades militares dependem da segurança dos sistemas digitais. Este facto foi reconhecido pelo Conselho Europeu de junho de 20171, bem como na estratégia global para a política externa e de segurança da União Europeia2. Os riscos estão a aumentar exponencialmente. Alguns estudos sugerem que o impacto económico da cibercriminalidade aumentou cinco vezes, entre 2013 e 2017, e poderá ainda quadruplicar até 20193. O recurso ao software de sequestro (ransomware)4 registou um aumento considerável, sendo que os recentes ataques5 refletem um aumento drástico das atividades no âmbito da cibercriminalidade. No entanto, o software de sequestro está longe de ser a única ameaça. As ciberameaças surgem de intervenientes estatais e não estatais: são frequentemente de origem criminosa, motivadas pelo lucro, mas também podem ser de natureza política e estratégica. A ameaça criminosa é reforçada pela definição pouco clara do limite entre a cibercriminalidade e o crime «tradicional», uma vez que os criminosos utilizam a Internet quer como uma forma de intensificarem as suas atividades, quer como uma fonte para encontrarem novos métodos e ferramentas para a prática de crimes6. Contudo, na grande maioria dos casos, as hipóteses de localizar os criminosos são muito escassas e as de instaurar uma ação penal são ainda mais reduzidas. Ao mesmo tempo, os intervenientes estatais cumprem cada vez mais os seus objetivos geopolíticos não só por intermédio de instrumentos tradicionais, como a força militar, mas também de instrumentos digitais mais discretos, inclusive interferindo em processos democráticos internos. A utilização do ciberespaço como um campo de batalha, isoladamente ou no âmbito de uma abordagem híbrida, é agora amplamente reconhecida. As campanhas de desinformação, as notícias falsas e as ciberoperações destinadas a atingir infraestruturas críticas são cada vez mais comuns e exigem uma resposta. Por esta razão, a Comissão sublinhou, no seu documento de reflexão sobre o futuro da defesa europeia7, a importância da cooperação em matéria de ciberdefesa. 1 2 3 4 5 6 7 http://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2017/06/23-euco-conclusions/. http://europa.eu/globalstrategy/. Ver, por exemplo, o estudo da McAfee e do Centre for Strategic and International Studies (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais), intitulado «Net Losses: Estimating the Global Cost of Cybercrime», 2014. O software de sequestro é um tipo de programa malicioso (malware) que impede ou restringe o acesso dos utilizadores ao respetivo sistema, seja pelo bloqueio do ecrã do sistema seja pelo bloqueio dos ficheiros dos utilizadores, a não ser que estes paguem um resgate. Em maio de 2017, o ataque com recurso ao software de sequestro Wannacry afetou mais de 400 000 computadores de mais de 150 países. Um mês depois, o ataque com recurso ao software de sequestro Petya atingiu a Ucrânia e diversas empresas em todo o mundo. Avaliação da Ameaça da Criminalidade Grave e Organizada, Europol, 2017. https://ec.europa.eu/commission/sites/beta-political/files/reflection-paper-defence_en.pdf. 2

Select target paragraph3